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sábado, 29 de março de 2025

Sanguinarius Fantasia Ragnarok – Primeiras horas de indecisão

 

               2 – Primeiras horas de indecisão



- Luna, já para dentro!

 

A cachorrinha de pronto obedece, sabendo que ela deveria cuidar da familia, mas para mim ela era o alerta, elas todas eram minha responsabilidade e meu dever cuidar. A garagem se estende com o carro dela e a minha camionete, não tinha muito tempo, mas sair a esmo não seria uma boa ideia, por hora tenho que ver o que aconteceu com os veios e fechar a casa deles, preciso pensar com calma antes de tomar uma atitude.

 

Primeiro passo tenho que garantir que nenhuma merda deste tipo terá novamente acesso ao meu quintal, e considerando a altura do muro interno definitivamente isso significa intervir na casa de meu vizinho. E tentar garantir a prior que seja o suficiente.

 

Entro em casa e pego minha Tomahawk* esse é um modelo só com lamina e um tipo de martelo atrás, não é bom ter nada pontudo apontado para si durante um combate.

 

Os sofá formam um L, com uma mesinha na intersecção e uma mesinha de canto, tem o tapete e a mesinha de centro, a área forma um corredor imaginário com o acesso para a cozinha ao fundo, e o raque montado com a TV para assistir, na tentativa de salvar a cachorra nem me preocupei em pegar a arma, que fica atrás do raque, uma falha grave que poderia ter custado a vida. Mas na ausência de algo que atire, a machadinha serve.

 

Minha esposa vem pelo corredor rápida e sorrateira.

 

- Meu bem! Meu bem, eles não atendem, as linhas de emergência estão todas ocupadas, mas olha meu bem! – Ela fala com voz chorosa, os canais de noticias online estão apontando desastres por todas as partes, inclusive envolvendo outras coisas medonhas, coisas que fariam Lovecraft se orgulhar.

 

- Puta que pariu! Que merda!

 

Obviamente eu não detenho a capacidade de ver minha face, mas se pudesse provavelmente estaria com uma face mista, de supressa e medo, com o queixo caído mediante ao choque, aparentemente pelas seleções isso está ocorrendo em todo lugar.

 

- Meu bem! Fica tranquila, daremos um jeito, preciso verificar a casa deles agora e reforçar a entrada da rua para garantir que nada entre, por hora, fica com a Luna e as garotas no quarto, tenta conseguir notícia, tanto da Rachel tanto dos nossos pais. – Falo segurando o rosto dela com delicadeza e segurando a mão firmemente para passar confiança – Depois decidimos o que fazer. – Dou um beijo em sua testa e ela só faz um gesto positivo com a cabeça ainda bem abalada.

 

Pego também o soco inglês com quebra vidro que está na mesinha de canto, a pior arma secundária que poderia ter, passo o fiel na mão direita, não quero correr o risco de ficar sem a machadinha. Pulo o muro bem em frente a porta de entrada em um semi pop voult* baixo para passar para o outro lado, a garagem fechada, talvez a porta para rua esteja aberta. Ainda agachado pela aterrissagem, me movo para a garagem, preciso ver se a porta está aberta, mas não, o carro na garagem e a porta para rua fechada!

 

"Mais que raios é está merda!" Exclamo em minha mente calculando, tudo fechado, em ordem, se não veio de fora de onde veio esse ser?

 

A vibração atrás de mim me alardeia e rolo para frente evitando o golpe.

 

Mas um deles! Dessa golpeou para baixo, o estalo do piso quebrando, com o golpe da unha desta coisa, o bixo é forte, pelo menos uma 2x vezes mais transmissão de força que um humano comum, o que significa que tomar esses golpes seria gamer over, o corpo desligaria para auto proteção, quebraria algumas costelas com certeza, fica dois furos e um pouco do piso quebrado.

 

Agora que dei uma olhada mais atenta, Caninos em pares proeminentes, ficam para fora da gengiva como um golen, pele roxeado pálida, altura similar a minha, por volta de 1,70, o que significa envergadura similar e pelo Seio Nage ter funcionado, provavelmente uns 85 kg na média, as articulações são bem humanoide, dá para perceber duas placas bem cheias formando o peitoral mas é como se o peitoral fosse escavado, o que seria o trapézio parece ter uma articulação própria saindo da nunca e deixando o queixo firme, o que explica o porque o golpe no outro não funcionou, é como um mini casco protegendo algo, mas ainda flexível o suficiente para promover um movimento curto de pescoço. Não tem orelhas, mas tem um tipo de membrana que parece ser mais sensível, o nariz se resume a dois Orifícios em uma protuberância colada, que remete ao nariz de morcego, porém colados na pele

 

Só um carro e um espaço de cerca de 3 metros por 4, quase um ringue, quem diria. Como bom combatente, arma branca na mão forte, mão armada a frente e posturado.

 

O que seja lá que for isso, tenta me acertar, desvio o golpe usando um bloqueio reto com o corpo do martelo, a recuperação é prejudicada, a força dele é superior, ele tenta outra estocada, desta vez esquivo e chuto o joelho que faz a criatura desiquilibrar, o movimento circular descendente é prejudicado, ele executa como se fosse um cruzado logo após apoiar no carro mas com as garras, tiro minha barriga de alvo e recuo o movimento com a machadinha que passa no ar.

 

"Maldito! Então tu também quer jogar?!" Neste momento meu lado lutador aciona, "Então venha" ele tenta um chute, meio que um chute básico, mas com aquelas garras/unhas vindo junto, Saio para lateral acertando um golpe com o Tomahawk*, abre uma lapa de carne na panturrilha, e a criatura cai escorregando no chão. O golpe em formato de meia lua buscando a garganta, a criatura abaixa e segura meu pé puxando-o, o voleio me faz cair de costas no chão, caramba, nem com base firme deu para minimizar. Ela Vem por cima descendo um tapão, segurando firme com os ombros bem aparados, coloco a lâmina de machado na frente e corta o braço dela, ela grunhim e faço a inversão indo para um tate shiho gatame travando o braço dela, ela segura minha roupa para fazer o movimento de puxada e sinto o tecido rasgar, então ela me olha confusa "Como assim ele não sentiu nada?", é como se o pensamento dela ecoasse em sua face.

 

- Sinto... – O machado desce, o corpo cede – Muito!

 

Tiro o machado do crânio dela nem um pouco confortável, não sei o que está ocorrendo, não sei o que pensar, mas é minha segurança e da minha familia. Não posso arriscar!

 

Tiro o retalho de camiseta que sobrou em meu tronco, e coloco a criatura perto da parede menos visível para quem passa na rua, Não que a rua seja movimentada ou irá ficar movimentada hoje.

 

Adentro a casa já esperando qualquer criatura, mas parece estar tudo tranquilo, ao menos, a cozinha e a sala revirada, a casa tinha banheiro, cozinha, sala, sendo a sala e a cozinha americana, então um hall com a parede dividindo e de um lado o banheiro e do outro o quarto, quarto esse que...

 

- Não é possível!

 

A cena que se predomina, os órgãos deles espalhados, misturados com roupa de cama, a dona Gertudes caída de cara na parede, muito sangue e confusão, só tiro o rosto dela que mesmo morto demonstra total pavor, e sua garganta perfurada, provavelmente ele foi morto e nem teve chance de gritar, e ela teve esse direito podado-lhe, mesmo que não fosse adiantar, o grito entalado que ecoa pelo semblante para a eternidade.

 

Sem muito o que fazer vasculho o restante da casa.

 

Mas a real é que não tem nada o que procurar, a casa fica no centro do terreno, só não tem passagem dos dois lados pro fundo pois eles fizeram a lavanderia no corredor lateral, ao fundo tem uma horta.

 

Pulo de volta.

 

E entro.

 

- Meu amor, nossa!

 

- Pai você está bem?

 

Percebo que tem um pouco de mancha de sangue daquilo, que é vermelho, por isso o susto delas.

 

- Tinha mais uma lá, mas não tem mais, infelizmente não temos mais senhor Osmar nem dona Gertudes! – Elas colocam a mão na boca. Minha enteada está tentando ligar desesperada para alguém! – Antes de discuti algo eu vou me lavar e me trocar. Tranquei a porta da Sala, seja lá o que era não forçou a entrada, mas não vamos se descuidar. – Minha esposa balança a cabeça em afirmativo.

 

- Rachel está bem, ela e o Gustavo já foram movidos para uma zona de quarentena, isso está ocorrendo no mundo.

 

- O mundo todo?

 

- Sim! – Ela tem o queixo tremido – Não tem para onde ir, parece que no mundo inteiro até bases militares caíram, esses seres só apareceram de forma aleatória em todos os lugares. O que vamos fazer? – Eu me aproximo segurando os braços dela...

 

- A Rachel está bem, isso é meio caminho andado! – Faço como uma massagem – Olha nós...

 

- Mas que droga! – a Roberta fala em raiva e desaba na cadeira largando o telefone furiosamente na mesa.

 

Lucia tenta se aproxima mas fica com medo da reação da irmã, ela está com medo de ir lá fora, está com medo de olhar o celular, está com medo de tudo.

 

Caramba, é muita coisa nem consigo processar tudo.

 

- O que aconteceu? – Falo em tom mais sério do que o que desejava.

 

- Você não ia entender. – Sério!?

 

- É o Josué? – Pergunta minha esposa, tá explicado, o pretendente/namoradinho dela não atende.

 

- Ele não atende ela fala se encolhendo na cadeira, como quem quer se compactar em um único ponto.

 

Minha esposa se desvencilha de mim para ir dar um abraço, todos confusos sem ter no que se apoiar mas servindo de apoio ao outro e desabando em sucessão.

 

- Olha, ele deve estar bem, vamos pensar de forma positiva, mas temos os avós e ele, a Rachel está bem, o restante a gente vai descobrir, vou tomar banho, enquanto tudo ainda meio que está funcionando, vamos tentar conseguir o máximo de informação, se tem uma zona de quarentena deve ter outras, vamos tentar descobrir. – Nem me pergunte de onde veio, mas precisamos de um primeiro passo.

 

- E se ele não estiver lá?

 

- Eu tento ajudar, mas antes temos que descobrir!

 

A discussão cessando, precisamos otimizar, eu tomo um banho rápido, tiro essa meleca de sangue de... Globlin? Orc? Nem sei o que é isso, se tem doença, ou o que tem, não tem como saber. A resposta virá com o tempo!

 

A Luna permanece em alerta, como quem está preparada para entrar em confronto a qualquer momento.

 

Dione acamou a Roberta. Conseguimos contato com meus cunhados, eles se retiraram com a igreja para um evento, e quando tudo aconteceu no meio da noite eles estavam em um lugar que virou uma zona segura, ou seja, menos mal, já aqui na cidade por ser uma cidade grande está um caos, seres que parecem Eurypterida's* porém com o dobro do tamanho e mesclando características de escorpião com um tipo de apêndice, como um probóscide de um pernilongo, alguns vídeos upados e live não derrubadas mostram que o propósito é o mesmo.

 

Seres como esses que eu derrotei também aparecem, já apelidaram eles de Serens, pareceu em alguns vídeos que eles estão tão confusos quanto nós, seria eles algum ser hominídeo? É como se duas realidades se chocassem, o centro daqui da cidade virou parcialmente uma floresta mesclada a ruina de prédios, muitos certeza morreram, o aeroporto foi pro espaço, estamos a salvo pois moramos afastado do centro em uma região que quase começa o mar infinito de cana para aproveitar, realmente não precisava ficar indo ao centro da cidade.

 

- Meu amor! Vou ter que ir pro centro, o bairro que minha mãe mora não foi atingido pelo que apelidaram de floresta arcana, mas as criaturas ainda estão por ai.

 

Ela esboça uma reação de fala mas é interrompida!

 

- O Josué mora perto dela. – Roberta se prepara para pedir o óbvio mas é interrompida.

 

- Não você não vai, lá está com todo o tipo de criatura bizarra, que não entendemos, você é biólogo, sabe os riscos, é como se um Jurassic Park medonho surgisse, e se você for você vai morrer!!! Ela nem atendeu o telefone... – Ela desmonta na mesa.

 

- Meu...

 

- Não vem com meu bem! Olha eles! - Aponta para casa dos velhinhos desfalecidos. – Olha você! Ta vivo, poderia não estar! O que faremos sem você? O que eu farei sem você! – Ela fala em meio as lagrimas.

 

A Lucia sussurra algo no ouvido da Luna, que reage se portando em frente a porta e me encarando, é como se tivesse pedido para ela não deixar eu sair.

 

Que sinuca de bico!

 

As forças armadas estão completamente bardenadas, essas coisas surgiram em todos os lugares do nada, Ninguém sabe explicar como ou porquê, isso inclui os quartéis e unidades militares registradas e não registradas, ou seja, o números de médicos, militares, e tudo está reduzido, as áreas menos afetadas viraram o que eles chamam de zonas de exclusão, os veículos de mídias nenhum está transmitindo, as informações que tem são da internet e desconexas, é o completo caos.

 

...

 

Algumas horas antes...

 

...

 

A senhora acorda, do lado sua fiel escudeira Crespinha, sempre atenta e que como um carrapato segue a dona para todos os lugares. Mas aprendeu a dormir do lado da cama como uma boa garota.

 

As duas já senhoras se levanta, rotina normal, escovar os dentes, preparar o café, até que ocorre de ouvir uma barulheira no vizinho!

 

Que extranho, eles também tem idade, não são de algazarra. Estavam recebendo os netos e uns amigos. Talvez fosse...

 

- Socorro! Não! Vai matar ele! Não! Não!

 

Som de tiro!

 

A Nancy já abaixada, "meu deus, o que ocorre, o que acontece" ela não tinha como saber. Ninguém tinha.

 

Dois garotos pulam o muro, um dele moreno, com dread's, só com o samba canção, ressaltando a urgência, seu braço dilacerado, se apoiando apenas em seus ossos e tendões, mas a fome de sobreviver o fez pular aquele muro de 230 cm para se salvar. Mas uma daquelas coisas pulou junto.

 

O outro garoto o empurra porta da cozinha adentro daquela senhora e um Seren o abraça mas sem ser com as garras.

 

- Gustavo nãoooooo! – Grita o garoto patinando em seu próprio sangue enquanto a senhora fecha a porta.

 

 

 

 

 

 

 

Tomahawk = Machadinha de origem indígenas do norte da américa usada para caça e combate!

 

Tate Shiho Gatame = Posição popularmente conhecida como montada no MMA

 

Pop Vault = Técnica de Parkour para pular obstáculos medianos (cerca de 2 metros de altura) sem perder muita velocidade, no caso meio pop vault se refere a ter pulado um muro mais baixo que a estatura dele mas usando o mesmo principio.

 

Eurypterida = Tipo de criatura marinha pré histórica quase do tamanho de um homem adulto, cujo o corpo lembra o formato de um escorpião.

 

Probóscide = Apêndice usado por pernilongos para sugar o sangue se alimentando.

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