2 – Primeiras horas de indecisão
- Luna, já
para dentro!
A cachorrinha
de pronto obedece, sabendo que ela deveria cuidar da familia, mas para mim ela
era o alerta, elas todas eram minha responsabilidade e meu dever cuidar. A
garagem se estende com o carro dela e a minha camionete, não tinha muito tempo,
mas sair a esmo não seria uma boa ideia, por hora tenho que ver o que aconteceu
com os veios e fechar a casa deles, preciso pensar com calma antes de tomar uma
atitude.
Primeiro passo
tenho que garantir que nenhuma merda deste tipo terá novamente acesso ao meu
quintal, e considerando a altura do muro interno definitivamente isso significa
intervir na casa de meu vizinho. E tentar garantir a prior que seja o
suficiente.
Entro em casa
e pego minha Tomahawk* esse é um modelo só com lamina e um tipo de martelo
atrás, não é bom ter nada pontudo apontado para si durante um combate.
Os sofá formam
um L, com uma mesinha na intersecção e uma mesinha de canto, tem o tapete e a
mesinha de centro, a área forma um corredor imaginário com o acesso para a
cozinha ao fundo, e o raque montado com a TV para assistir, na tentativa de
salvar a cachorra nem me preocupei em pegar a arma, que fica atrás do raque,
uma falha grave que poderia ter custado a vida. Mas na ausência de algo que
atire, a machadinha serve.
Minha esposa
vem pelo corredor rápida e sorrateira.
- Meu bem! Meu
bem, eles não atendem, as linhas de emergência estão todas ocupadas, mas olha
meu bem! – Ela fala com voz chorosa, os canais de noticias online estão
apontando desastres por todas as partes, inclusive envolvendo outras coisas
medonhas, coisas que fariam Lovecraft se orgulhar.
- Puta que
pariu! Que merda!
Obviamente eu
não detenho a capacidade de ver minha face, mas se pudesse provavelmente
estaria com uma face mista, de supressa e medo, com o queixo caído mediante ao
choque, aparentemente pelas seleções isso está ocorrendo em todo lugar.
- Meu bem!
Fica tranquila, daremos um jeito, preciso verificar a casa deles agora e
reforçar a entrada da rua para garantir que nada entre, por hora, fica com a
Luna e as garotas no quarto, tenta conseguir notícia, tanto da Rachel tanto dos
nossos pais. – Falo segurando o rosto dela com delicadeza e segurando a mão
firmemente para passar confiança – Depois decidimos o que fazer. – Dou um beijo
em sua testa e ela só faz um gesto positivo com a cabeça ainda bem abalada.
Pego também o
soco inglês com quebra vidro que está na mesinha de canto, a pior arma
secundária que poderia ter, passo o fiel na mão direita, não quero correr o
risco de ficar sem a machadinha. Pulo o muro bem em frente a porta de entrada
em um semi pop voult* baixo para passar para o outro lado, a garagem fechada,
talvez a porta para rua esteja aberta. Ainda agachado pela aterrissagem, me
movo para a garagem, preciso ver se a porta está aberta, mas não, o carro na
garagem e a porta para rua fechada!
"Mais que
raios é está merda!" Exclamo em minha mente calculando, tudo fechado, em
ordem, se não veio de fora de onde veio esse ser?
A vibração
atrás de mim me alardeia e rolo para frente evitando o golpe.
Mas um deles!
Dessa golpeou para baixo, o estalo do piso quebrando, com o golpe da unha desta
coisa, o bixo é forte, pelo menos uma 2x vezes mais transmissão de força que um
humano comum, o que significa que tomar esses golpes seria gamer over, o corpo
desligaria para auto proteção, quebraria algumas costelas com certeza, fica
dois furos e um pouco do piso quebrado.
Agora que dei
uma olhada mais atenta, Caninos em pares proeminentes, ficam para fora da
gengiva como um golen, pele roxeado pálida, altura similar a minha, por volta
de 1,70, o que significa envergadura similar e pelo Seio Nage ter funcionado,
provavelmente uns 85 kg na média, as articulações são bem humanoide, dá para
perceber duas placas bem cheias formando o peitoral mas é como se o peitoral
fosse escavado, o que seria o trapézio parece ter uma articulação própria
saindo da nunca e deixando o queixo firme, o que explica o porque o golpe no
outro não funcionou, é como um mini casco protegendo algo, mas ainda flexível o
suficiente para promover um movimento curto de pescoço. Não tem orelhas, mas
tem um tipo de membrana que parece ser mais sensível, o nariz se resume a dois
Orifícios em uma protuberância colada, que remete ao nariz de morcego, porém
colados na pele
Só um carro e
um espaço de cerca de 3 metros por 4, quase um ringue, quem diria. Como bom
combatente, arma branca na mão forte, mão armada a frente e posturado.
O que seja lá
que for isso, tenta me acertar, desvio o golpe usando um bloqueio reto com o
corpo do martelo, a recuperação é prejudicada, a força dele é superior, ele
tenta outra estocada, desta vez esquivo e chuto o joelho que faz a criatura
desiquilibrar, o movimento circular descendente é prejudicado, ele executa como
se fosse um cruzado logo após apoiar no carro mas com as garras, tiro minha
barriga de alvo e recuo o movimento com a machadinha que passa no ar.
"Maldito!
Então tu também quer jogar?!" Neste momento meu lado lutador aciona,
"Então venha" ele tenta um chute, meio que um chute básico, mas com
aquelas garras/unhas vindo junto, Saio para lateral acertando um golpe com o
Tomahawk*, abre uma lapa de carne na panturrilha, e a criatura cai escorregando
no chão. O golpe em formato de meia lua buscando a garganta, a criatura abaixa
e segura meu pé puxando-o, o voleio me faz cair de costas no chão, caramba, nem
com base firme deu para minimizar. Ela Vem por cima descendo um tapão,
segurando firme com os ombros bem aparados, coloco a lâmina de machado na
frente e corta o braço dela, ela grunhim e faço a inversão indo para um tate
shiho gatame travando o braço dela, ela segura minha roupa para fazer o
movimento de puxada e sinto o tecido rasgar, então ela me olha confusa
"Como assim ele não sentiu nada?", é como se o pensamento dela
ecoasse em sua face.
- Sinto... – O
machado desce, o corpo cede – Muito!
Tiro o machado
do crânio dela nem um pouco confortável, não sei o que está ocorrendo, não sei
o que pensar, mas é minha segurança e da minha familia. Não posso arriscar!
Tiro o retalho
de camiseta que sobrou em meu tronco, e coloco a criatura perto da parede menos
visível para quem passa na rua, Não que a rua seja movimentada ou irá ficar
movimentada hoje.
Adentro a casa
já esperando qualquer criatura, mas parece estar tudo tranquilo, ao menos, a
cozinha e a sala revirada, a casa tinha banheiro, cozinha, sala, sendo a sala e
a cozinha americana, então um hall com a parede dividindo e de um lado o
banheiro e do outro o quarto, quarto esse que...
- Não é
possível!
A cena que se
predomina, os órgãos deles espalhados, misturados com roupa de cama, a dona
Gertudes caída de cara na parede, muito sangue e confusão, só tiro o rosto dela
que mesmo morto demonstra total pavor, e sua garganta perfurada, provavelmente
ele foi morto e nem teve chance de gritar, e ela teve esse direito podado-lhe,
mesmo que não fosse adiantar, o grito entalado que ecoa pelo semblante para a
eternidade.
Sem muito o
que fazer vasculho o restante da casa.
Mas a real é
que não tem nada o que procurar, a casa fica no centro do terreno, só não tem
passagem dos dois lados pro fundo pois eles fizeram a lavanderia no corredor
lateral, ao fundo tem uma horta.
Pulo de volta.
E entro.
- Meu amor,
nossa!
- Pai você
está bem?
Percebo que
tem um pouco de mancha de sangue daquilo, que é vermelho, por isso o susto
delas.
- Tinha mais
uma lá, mas não tem mais, infelizmente não temos mais senhor Osmar nem dona
Gertudes! – Elas colocam a mão na boca. Minha enteada está tentando ligar
desesperada para alguém! – Antes de discuti algo eu vou me lavar e me trocar.
Tranquei a porta da Sala, seja lá o que era não forçou a entrada, mas não vamos
se descuidar. – Minha esposa balança a cabeça em afirmativo.
- Rachel está
bem, ela e o Gustavo já foram movidos para uma zona de quarentena, isso está
ocorrendo no mundo.
- O mundo
todo?
- Sim! – Ela
tem o queixo tremido – Não tem para onde ir, parece que no mundo inteiro até
bases militares caíram, esses seres só apareceram de forma aleatória em todos
os lugares. O que vamos fazer? – Eu me aproximo segurando os braços dela...
- A Rachel
está bem, isso é meio caminho andado! – Faço como uma massagem – Olha nós...
- Mas que
droga! – a Roberta fala em raiva e desaba na cadeira largando o telefone
furiosamente na mesa.
Lucia tenta se
aproxima mas fica com medo da reação da irmã, ela está com medo de ir lá fora,
está com medo de olhar o celular, está com medo de tudo.
Caramba, é
muita coisa nem consigo processar tudo.
- O que
aconteceu? – Falo em tom mais sério do que o que desejava.
- Você não ia
entender. – Sério!?
- É o Josué? –
Pergunta minha esposa, tá explicado, o pretendente/namoradinho dela não atende.
- Ele não
atende ela fala se encolhendo na cadeira, como quem quer se compactar em um
único ponto.
Minha esposa
se desvencilha de mim para ir dar um abraço, todos confusos sem ter no que se
apoiar mas servindo de apoio ao outro e desabando em sucessão.
- Olha, ele
deve estar bem, vamos pensar de forma positiva, mas temos os avós e ele, a
Rachel está bem, o restante a gente vai descobrir, vou tomar banho, enquanto
tudo ainda meio que está funcionando, vamos tentar conseguir o máximo de
informação, se tem uma zona de quarentena deve ter outras, vamos tentar
descobrir. – Nem me pergunte de onde veio, mas precisamos de um primeiro passo.
- E se ele não
estiver lá?
- Eu tento
ajudar, mas antes temos que descobrir!
A discussão
cessando, precisamos otimizar, eu tomo um banho rápido, tiro essa meleca de
sangue de... Globlin? Orc? Nem sei o que é isso, se tem doença, ou o que tem,
não tem como saber. A resposta virá com o tempo!
A Luna
permanece em alerta, como quem está preparada para entrar em confronto a
qualquer momento.
Dione acamou a
Roberta. Conseguimos contato com meus cunhados, eles se retiraram com a igreja
para um evento, e quando tudo aconteceu no meio da noite eles estavam em um
lugar que virou uma zona segura, ou seja, menos mal, já aqui na cidade por ser
uma cidade grande está um caos, seres que parecem Eurypterida's* porém com o
dobro do tamanho e mesclando características de escorpião com um tipo de
apêndice, como um probóscide de um pernilongo, alguns vídeos upados e live não
derrubadas mostram que o propósito é o mesmo.
Seres como
esses que eu derrotei também aparecem, já apelidaram eles de Serens, pareceu em
alguns vídeos que eles estão tão confusos quanto nós, seria eles algum ser
hominídeo? É como se duas realidades se chocassem, o centro daqui da cidade
virou parcialmente uma floresta mesclada a ruina de prédios, muitos certeza
morreram, o aeroporto foi pro espaço, estamos a salvo pois moramos afastado do
centro em uma região que quase começa o mar infinito de cana para aproveitar,
realmente não precisava ficar indo ao centro da cidade.
- Meu amor!
Vou ter que ir pro centro, o bairro que minha mãe mora não foi atingido pelo
que apelidaram de floresta arcana, mas as criaturas ainda estão por ai.
Ela esboça uma
reação de fala mas é interrompida!
- O Josué mora
perto dela. – Roberta se prepara para pedir o óbvio mas é interrompida.
- Não você não
vai, lá está com todo o tipo de criatura bizarra, que não entendemos, você é
biólogo, sabe os riscos, é como se um Jurassic Park medonho surgisse, e se você
for você vai morrer!!! Ela nem atendeu o telefone... – Ela desmonta na mesa.
- Meu...
- Não vem com
meu bem! Olha eles! - Aponta para casa dos velhinhos desfalecidos. – Olha você!
Ta vivo, poderia não estar! O que faremos sem você? O que eu farei sem você! –
Ela fala em meio as lagrimas.
A Lucia
sussurra algo no ouvido da Luna, que reage se portando em frente a porta e me
encarando, é como se tivesse pedido para ela não deixar eu sair.
Que sinuca de
bico!
As forças
armadas estão completamente bardenadas, essas coisas surgiram em todos os
lugares do nada, Ninguém sabe explicar como ou porquê, isso inclui os quartéis
e unidades militares registradas e não registradas, ou seja, o números de
médicos, militares, e tudo está reduzido, as áreas menos afetadas viraram o que
eles chamam de zonas de exclusão, os veículos de mídias nenhum está
transmitindo, as informações que tem são da internet e desconexas, é o completo
caos.
...
Algumas horas
antes...
...
A senhora
acorda, do lado sua fiel escudeira Crespinha, sempre atenta e que como um
carrapato segue a dona para todos os lugares. Mas aprendeu a dormir do lado da
cama como uma boa garota.
As duas já
senhoras se levanta, rotina normal, escovar os dentes, preparar o café, até que
ocorre de ouvir uma barulheira no vizinho!
Que extranho,
eles também tem idade, não são de algazarra. Estavam recebendo os netos e uns
amigos. Talvez fosse...
- Socorro!
Não! Vai matar ele! Não! Não!
Som de tiro!
A Nancy já
abaixada, "meu deus, o que ocorre, o que acontece" ela não tinha como
saber. Ninguém tinha.
Dois garotos
pulam o muro, um dele moreno, com dread's, só com o samba canção, ressaltando a
urgência, seu braço dilacerado, se apoiando apenas em seus ossos e tendões, mas
a fome de sobreviver o fez pular aquele muro de 230 cm para se salvar. Mas uma
daquelas coisas pulou junto.
O outro garoto
o empurra porta da cozinha adentro daquela senhora e um Seren o abraça mas sem
ser com as garras.
- Gustavo
nãoooooo! – Grita o garoto patinando em seu próprio sangue enquanto a senhora
fecha a porta.
Tomahawk =
Machadinha de origem indígenas do norte da américa usada para caça e combate!
Tate Shiho
Gatame = Posição popularmente conhecida como montada no MMA
Pop Vault =
Técnica de Parkour para pular obstáculos medianos (cerca de 2 metros de altura)
sem perder muita velocidade, no caso meio pop vault se refere a ter pulado um
muro mais baixo que a estatura dele mas usando o mesmo principio.
Eurypterida =
Tipo de criatura marinha pré histórica quase do tamanho de um homem adulto,
cujo o corpo lembra o formato de um escorpião.
Probóscide =
Apêndice usado por pernilongos para sugar o sangue se alimentando.


