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sexta-feira, 5 de julho de 2024

Grakalimon o chaveiro cósmico

 


 Camuflado em meio as trevas, observa aquela mãe correndo com seu bebê em baixo dos braços.

 A criatura consegue ouvir o som do coração batendo, batidas de medo, que a fazem sentir mais fome.

 A mulher adentra uma casa e se tranca.

 Porque seu helicóptero tinha que cair nesse inferno.

 Ao menos o bebê parece extranhamente dormir sem reparar nada.

 

 - Como entrou aqui? – um velho adentra a sala.

 

 - Sr. Meu helicóptero caiu, e tem uma coisa atrás de nós. Não sei quantos sobreviventes há, me ajude, ajude meu filho! – Suplica com olhos dilatados.

 

 Pronto para mandar a mulher embora, surge uma senhora.

 

 - Anton o que está acontecendo aqui? – Pergunta a velhinha com voz doce, mas que ao adentrar na sala faz o bebê ficar inquieto.

 

 - Ela tem que ir embora! Ela não pode ficar Mercedes!

 

 - Mas porque Anton? Deixar ela ao relento com uma criança no meio da noite? Isso é um pecado cruel.

 

 Antes que Anton possa responder, todos escutam um Barulho no telhado, seguido de passos de algo aparentemente pesados as frágeis telhas Brasilit se mantém intactas.

 Anton e Mercedes se entreolham, a troca rápida deixa muita coisa subtendidas no ar, a mulher se encolhe no canto, e o bebê se põe a espernear.

 Anton corre para dentro da residência, a mulher tenta acalmar o bebê enquanto olhar para todos os lados encostada na parede, a procura de qualquer sinal da fera.

 

 - Deve ter sido só um raposa minha querida, não precisa ter medo! Venha! Por aqui! Está segura agora.

 

 A mulher se encolhe mais mediante ao braço estendido, mas cede ao rosto doce da senhora.

 Ela é dirigida a um quarto, o estado dela é péssimo, suja, cansada, abatida. Em choque seria o mais correto.

 O lençol que protege o bebê está intacto, sem marcas, exceto uma estranha marca de nascença que tem nas mãos, em ambas!

 Mercedes a deixa sozinha por um minuto, ao fundo é possível ouvir ela e o Anton, que se opõe veementemente a idéia de ceder refúgio a uma desconhecida, mas Mercede retruca que o que eles passaram a vida inteira procurando estava com a moça, a moça não consegue distinguir direito o que se fala, mas desconfia.

 Logo os dois se apresentam!

 

 - A moça pode ficar aqui! – Fala o senhor em tom não muito amigável – Desde que pela manhã vá embora! – A mulher concorda com um aceno de cabeça – Qual o seu nome moça?

 

 - Roberta! – Responde baixo!

 

 - Bem Roberta! Hoje você fica! Vou deixar minha mulher cuidando de você, pela manhã chamamos a polícia para ajuda-la, pelo visto você irá precisar.

 

Mercedes ajuda ela a se banhar e cede roupas de quando era jovem para ela.

A criatura observa lá de fora, seu corpo pulsa em querer se alimentar da alma da jovem, mas sente que seus mestre diz para não fazer.

Ela se contenta em observar o casebre.

 Mercedes e Roberta conversam, ela fala que a criança está com sete meses, que sofreram uma pane no helicóptero, e que uma coisa surgiu e matou os sobreviventes, algo que ela não conseguia descrever, cita o nome da criança, Robert. Roberta indaga e diz que precisa chamar ajuda urgente, mas Mercedes lhe explica que tem que espera o dia clarear para a luz voltar, que o gerado funcionava só das 6-20 horas.

 Mercedes prepara um chá para Roberta dormir.

 

 - Tome, vai fazer você dormir melhor! – Mercedes pega carinhosamente as mãos do garoto – Seu filho tem mãos especiais.

 

 - As marcas são iguais a do pai.

 

 - Tenho certeza que ele está orgulho, e ficará feliz em rever a criança!

 

- Ele faleceu no dia em que ele nasceu!

 

 Melhor do quê ela pensava. Só tinha que confirmar com a caveira se era a criança.

 

 - Sinto muito!

 

 - Eu também! – Ela começa a sentir as pálpebras pesarem. – Muito obrigado por tudo. – Antes das pálpebras cederem ao sonífero por completo, ela vê a mulher retirando o sangue da criança com uma faca.

 

...

 

 Recobra as consciência aos poucos, a sua frente há uma fogueira, com os corpos de seus colegas do helicóptero, o bebê está no colo de Mercedes que está com um capuz roxo, já Anton se curva perante a besta fera que a perseguia outrora.

 Mercedes abre um livro adornado com ossos de fetos.

 

 - Soltem meu filho! Seus insanos! Soltem meu filho! – Grita a medida que se balança, tal como um peixe a procura de água, seu coração sobressaltado.

 

 - Ele não é seu filho, ele é o portal para trazer nosso mestre de volta, aquele que destruirá a terra e trará os doze reis do cosmo de volta a vida.

 

 - Vocês estão loucos?

 

 - Se estamos, então como enxerga o caçador atrás de mim? – Questiona Anton!

 

Ela se desespera.

 

 - Grakalimon! Venho hoje através desse gesto, entregar a você, o filho, de um nono filho, de um nono filho, aquele cujo será preparado para gerar a casca que trará vossa senhoria a este plano, no qual será rei de toda a galáxia. Eu o purifico ao fogo.

 

 Então Anton usa uma faca para afazer um circulo no peito do garoto, e então coloca seus dedos na extremidade do círculo, e afunda!

 O bebê não chora enquanto tem seu coração arrancado!

 Roberta fica em pleno choque com o que acabará de ver.

 Anton arremessa o coração ao fogo e então tudo escurece.

 

...

 

 Ela se vê em um vale de ossos, há sua frente o Michael, o pai da criança.

 Ele só a observa melancólico, como se ela tivesse falhado.

 

 - Você falhou Roberta, mas quando estiver no inferno, você terá uma segunda chance, não a desperdice!

 

....

 

 Ela retorna, o corpo do bebê flutua em volta da fogueira, a medida que um símbolo se forma no coração da criança, ela observa aquilo em um misto de esperança e medo, assim que os dois se fundem, a criança desaparece.

 

 - Assim se encerra, e se decreta. A vida não deve ser adorada, nem a luz, e ele virá para nos lembrar que o que prevalece é a escuridão. Os engenheiros criaram a vida, o que eles não compreendiam era a existência da morte. Que agora se abaterá por todo o universo.

 

 Com essa última frase a criatura arranca o coração da moça!

 Antes de apagar, ela ver a figura de um homem encapuzado, ele faz sinal de silêncio.

 Suas pálpebras cedem.